
Como não desejar o que já foi desejado antes, um desejo afirmado, convencido, domesticado para uma só satisfação? Como fazer do sofrimento a potência da revolta e não o xilique da mulherzinha? Como libertar um fluxo que não encontra companheiros potencializantes? Só liberando... Um que não vinga, outro que goza, um que brinca, outro que broxa, um que escreve, outro que chora, outro e outro ainda... O que não posso é deixar que os fluxos que por mim passam se domestiquem, assim, facilmente, docilmente, como se as minhas únicas possibilidades fossem ser dócil ou brava... Nem dócil nem brava! Não quero ter nome! Não me nomeiem! Vocês, que pouco se ocupam do que por vocês passa... Apenas deixam passar sem nada modificar, sem nada criar com o que a vida lhes dá, de graça. Preferem sua existência doméstica comprada a prestação de desejo, com seus cães tratados como bebês, como se pudessem ensiná-los a falar! Vocês me dão nojo! Não posso habitar um mundo de um povo que pensa ser proprietário do que pensa... Não, queridinhos, pensamento não se tem, pensamento é o que passa por nós para violentar a existência e não para docilizá-la! Não sou eu que sou brava! É a existência que se enraivece:
Daiana tirava um tatu do nariz durante o jantar de família...
- Minha filha, uma princesa não bota o dedo no nariz!
- Mas eu não quero ser princesa, mãe! Quero ser monstro!
Daiana tirava um tatu do nariz durante o jantar de família...
- Minha filha, uma princesa não bota o dedo no nariz!
- Mas eu não quero ser princesa, mãe! Quero ser monstro!