terça-feira, novembro 03, 2009
pesadelos de uma noite de verão
quarta-feira, outubro 28, 2009
Abertura de inferno astral

Hoje é um bom dia para refletir sobre as vivências do passado e tudo aquilo que se passa no seu interior, já que Mercúrio entra em seu setor das crises. É hora de avaliar novos caminhos para a vida, mas evite ser crítico demais. Cuidado para não magoar ninguém!
terça-feira, outubro 27, 2009
a marca de caim
quinta-feira, outubro 22, 2009
dezoito de outubro
quarta-feira, outubro 14, 2009
prole

sexta-feira, setembro 25, 2009
estupro
quinta-feira, setembro 10, 2009
bendita vontade de espelho
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A alegria dos espelhos parecia querer guardar os instantes que as retinas roubavam nos vieses do olhar...
Por alguns momentos também eu quis reter as imagens como se fossem afetos,
como se fossem memórias,
como se fossem inesquecíveis só pelo fato de as batizarmos assim...
A fugacidade diz de sua própria potência...
A memória da pele!
(imagem sonora que passa agora: “tudo em você é fugaz, tudo você é quem lança! – Lança mais! – Mais!”).
Quem dera um mundo em que os espelhos não fossem suspensões,
em que memórias não fossem suspensões,
em que afetos não tivessem que ser suspensos por uma imagem.
Estou criando as saudades que eu quero ter!
Terei saudade!
Saudade!
*Imagem: Sabina, de A Insustentável Leveza do Ser
sábado, agosto 15, 2009
esparramando-se sobre a mesa esquizofrênica*
quarta-feira, julho 22, 2009
mágica engarrafada

Incrível como uma substância líquida tem poderes de transporte, desde que ela carregue, engarrafados, os poderes da mágica... um vinho chileno tem o gosto da terra do Chile e você sabe disso quando toma um, mesmo que nunca tenha estado no Chile. São signos que o vinho transporta, signos da terra onde a uva nasceu.
E neste momento, os signos são muito graves, porque o vinho que tomo agora nasceu na mesma terra que eu. Um Merlot Da Paz é capaz de me levar às faltas que o tempo fez, ao que, como eu e o vinho, nasceu naquela terra, mas já não me transmite signos. Ou eu é que já não os escuto mais. Eu quase nunca gostei dos conterrâneos, sempre preferi o gosto das terras chilenas, mas o Da Paz me arrebata, me ganha, quase me arrasta de volta ao convívio das gentes que já não estão lá. Quase... Deveria eu me irmanar aos chilenos ou ir ainda mais longe, aos sul-africanos, negros vinhos, mas há um gosto de terra natal em meus pés...
segunda-feira, maio 04, 2009
entre homens e mitos

Eu disse:
“como eles podem não sentir que eu não sinto nada ?!”
E disse depois,
entre o pedido, a promessa e a praga:
“Preciso de um homem que me emocione”.
E depois de uns 10 anos depois da noite mais intensa,
eis que ressurge
o mais intenso dos abraços...
Ele disse que eu não lembrava.
Eu disse
“é claro que eu lembro”
...e de novo:
um abraço capaz de reentorpecer meu corpo...
Fauno me tomando em seu labirinto
e eu dizendo todos os sins que seu corpo convocava ao meu.
Mas depois,
quando eu saía para o mar
ele disse
“ficarei em terra firme”
e me largou sozinha
no mar das intensidades amedrontadoras e incompreensíveis...
Eu disse que eu lhe tinha medo Ulisses...
Sereias têm medo porque jamais serão Penélopes.
Eu não sei bordar colchas de espera,Ulisses,
eu só sei cantar...
eu só sei de agora
Para Felice Bauer*
A cópia dele,
copia ela
Pra sustentar sua costela.
Leitora era ela.
Empregada
ela prega
o prego no prelo da vida
de quem não fala.
À vida de falo
Para outro falo
Não fala.
Ele escreve a verdade
A cópia da mentira
faz ela
E não fala
Cala
a costela
na cara dela.
*Leitora e copista ideal de Kafka
terça-feira, fevereiro 10, 2009
o desejo é sempre de aventura
terça-feira, janeiro 13, 2009
Entre cinderelas e monstros

Daiana tirava um tatu do nariz durante o jantar de família...
- Minha filha, uma princesa não bota o dedo no nariz!
- Mas eu não quero ser princesa, mãe! Quero ser monstro!
Para Lesmari Bitencourt

Alguém tem pra trocar?
quarta-feira, setembro 10, 2008
ALTEREGO
Acabou criada em plena Tijuca. Sabe tudo de samba, tanto quanto de tango e rock'n'roll, mas nunca se encantou pela batucada. Tinha sempre aquela arrogância portenha estampada na cara. O pai era tão calado que não lhe dera pudores, mas livros!
Sentou-se num bar à espera da primeira proposta enquanto um figurão afeminado de blazer marine a encarava do outro lado. Incomodada e sempre direta, resolveu se aproximar:
– Boa noite! – ela disse.
– Queira sentar-se senhorita – Posso oferecer-lhe uma bebida?
– Vodka... dupla, com gelo... sem limão!
– Darei exatamente o que quer.
– Sendo assim, podemos ir, senhor.
Valentim, o figurão afeminado do blazer marine, farejou em Martina um talento nato. Hoje, aos 30 anos, ela é a gerente de algumas de suas casas noturnas e sua única herdeira.
Se a encontrarmos na Zona Sul, atenderá por Valèrie. É assim que a chamam seu namorado playboy de 22 anos, morador da Barra, e seus amigos, que se interessam muito por alguns produtos que ela consegue com facilidade. Ele pensa que ela é representante comercial em Porto Alegre, por isso só aparece de quinze em quinze dias... pra saltar de asa delta!
Nos outros, ela costuma freqüentar camas de motel acompanhada de Jardson, traficante do segundo escalão do Morro do Alemão que sonha em subir pro primeiro. Glória acha uma péssima idéia:
– Lugarzinho de difícil acesso, meu nego, vai acabar sem conseguir sair de lá e eu, sem conseguir chegar...
segunda-feira, agosto 11, 2008
ÁGUA NA BOCA
A pergunta é sobre a imaginação ...
Quanto mais meu corpo deseja tua boca, mais a imagina,
o que faz com que o teu beijo fique cada vez mais longe da minha boca,
e meu pensamento fique cada vez mais perto daquilo que é cada vez menos tu.
- Entendeu?!
Só que...
A água na minha boca não é imaginação!
Nossas bocas jamais se encontraram pra falar.
E eu digo: “não, eu não posso” ...
Imaginar a tua boca tem sido minha distração inútil mais divertida,
- mas não dá!
- Isso é desperdício de água na boca!
... Quando vou parar de ver novela?
Essa televisão não tem botão!
quinta-feira, agosto 07, 2008
"eu não falo a sua língua, eu não sou o seu vizinho, eu moro muito longe, sozinho."
que eu não sou japonês.
Nem perco a poesia
que pode me dar o português.
Aos prisioneiros do rock, eu digo:
- Sou livre em mandarim!
E os prisioneiros da MPB
que não ouçam a mim!
Quem canta não sou eu!
Muito menos este canto é meu!
Aos corpos que se ofertam às línguas que virão,
ouvidos que não sabem quem são...
terça-feira, maio 27, 2008
Sympathy for...
Essa noite quase não dormi. Pesadelos... Um tesão que se confundia com medo: um homem me estrangulava, embaixo d’água, na hora do gozo. Pensamentos atormentados por prazeres de ontem que querem habitar o agora, mas não são nem promessa para amanhã. Quinta, talvez? Hahaha!!! Quem há de saber?“Não amamos ninguém separadamente das paisagens, das horas, das circunstâncias, de toda natureza por ele englobadas”, disse, mais uma vez, Deleuze. E as paisagens que me fazem amar não são jardins floridos em tardes ensolaradas, quiçá jantares à luz de velas, nem se quer são habitadas por uma só face. Elas têm que ter seu quê de angústia, de fumaça, de múltiplas máscaras e muito rock ’n’ roll...
Já não quererei mais a “sorte de um amor tranqüilo”? Não! Quero a sorte, mas não sei de quê! Não sonho ideais. Tenho pesadelos... A vida é trágica!
Amor fati, enfim: eu amo o que habito com mais fervor!
segunda-feira, maio 26, 2008
Vida Fascista

Começo com o filme de Sérgio Bianchi (2005) e a provocação que nos faz já no título: “Quanto vale ou é por quilo?” Pergunto, então: o que está sendo avaliado ou pesado aí? Responde-se um tanto arriscadamente: pesa-se e avalia-se a vida.
O filme apresenta nossa roda viva[1] contemporânea onde os personagens circulam entre diversos papéis: o herói se torna ladrão; o ladrão, mártir; o mártir, corrupto; o corrupto, vítima; a vítima, inabalável; o inabalável, cúmplice; o cúmplice, algoz... A vida enclausurada, a vida sitiada, a vida que parece não conseguir mais escapar, que não consegue parar de se reproduzir, a vida subjugada a um regime fascista sem um déspota para responsabilizar,
“o fascismo que está em nós todos, que martela nossos espíritos e nossas condutas cotidianas, o fascismo que nos faz amar o poder, desejar esta coisa que nos domina e nos explora.” (Foucault, 1977)
A título de ilustração, peço licença para contar um causo:
“Andávamos eu e meu amigo carioca em sua primeira estada
– Tio, me dá uma moeda?
Meu amigo e sua típica comunicabilidade carioca disse ao menino:
– Quaé, rapá?! Não dá nem ‘oi’ nem ‘boa tarde’ e já chega pedindo moeda?
– Tem moeda, tio? Me dá uma moeda, tia?
Explico ao menino que meu amigo é turista e tal e lhe daria uma moeda se ele me dissesse qual era o nome da cidade na outra margem do rio para onde eu apontava.
– “Cidadi” – o menino respondia várias vezes às minhas insistências e inúteis facilitações e dicas.
– Acho que esse menino não entende o conceito de cidade – pensei. Resolvi mudar o pedido:
– Então me diz o que tu mais gosta de fazer.
– Não sei dizer, não sei falar.
– Tu não sabe falar?
– Não, minha mãe bate na minha boca, só sei pedir moeda.”
Senhores, que povo[2] fala na boca desse menino? Quantas moedas vale um povo que (não) se faz falar?
Estamos falando de uma vida e de uma história que (quase) não conseguem mais escapar. É a vida do homem em constante invenção de si e do mundo (vida como obra de arte) que quer escapar de uma “história que nos separa de nós mesmos, e que deveríamos transpor e atravessar para pensarmos a nós mesmos” (Deleuze, 1992. p.119).
Parece que o filme e a marca que ele deixou queriam perguntar: de que ferramentas precisamos para ouvir e ver agenciamentos coletivos de enunciação e não apenas a queixa-conduta dos indivíduos, a oferta de pão-e-leite ou o ‘me-dá-uma-moeda’? Que lugar ocupamos nesta roda viva que não pára de se reproduzir?
O filme mostra a máquina de Estado (principalmente em suas engrenagens burocráticas e corruptas) se infiltrando nas instituições que deveriam regulá-la: as ONGs (organizações não-governamentais) e suas fachadas assistencialistas de uma população à beira da miséria. Mas acaba dando visibilidade a todo um funcionamento social que acaba tragicamente se utilizando dessas mesmas engrenagens para sobreviver. Eis a roda viva.
E então pergunto: como pensar o que escapa e quer escapar da roda viva e criar novos territórios existenciais
Então, tanto em arte como em política, “trata-se de liberar a vida lá onde ela é prisioneira ou de tentar fazê-lo num combate incerto” (Deleuze/Guattari, 2005. p.222).
[1] Alusão à popular canção Roda Viva de Chico Buarque que fazia uma referência à aparelhagem do estado militarizado e suas estratégias para calar a vida que queria falar.
[2] Para Deleuze (2006, p.346-347) os enunciados não remetem ao EU como sujeito de enunciação. O que produz os enunciados que nos atravessam são massas, matilhas, povos, tribos, enfim, agenciamentos coletivos que nos são interiores e que nós não conhecemos porque fazem parte do nosso próprio inconsciente enquanto multiplicidade. Assim, a tarefa de uma verdadeira análise é descobrir esses agenciamentos de enunciação, esses encadeamentos coletivos, esses povos que estão em nós e que nos fazem falar. Opomos então todo um campo de experimentação pessoal ou de grupo às atividades de uma máquina automática de interpretação ou de aplicação técnica.